
As quase vias de fato foram entre o vereador Everaldo Fogaça e o jornalista Paulo Andreoli do site Rondoniaovivo que é acusado de ter seus funcionários nomeados em órgãos públicos
A mídia rondoniense vive dias de tensão e atrito. Jornalistas renomados do estado estão “assustados” com os últimos movimentos dos novos dirigentes da Secretaria de Comunicação do Governo de Rondônia (Secom), comandada por Renan Fernandes e Chico Holanda, que assumiram há cerca de um mês. Nos bastidores, o clima é descrito como uma verdadeira “guerra campal”.
O episódio ganhou força após a publicação da coluna Ponto Crítico, assinada pelo jornalista Felipe Corona, no site independente TV C Amazônia, que não recebe recursos de mídia institucional do Governo de Rondônia, Assembleia Legislativa, Detran ou Prefeitura de Porto Velho. A denúncia tratava da disputa por verbas públicas de comunicação, que movimentam valores milionários e, segundo apurações, já são alvo do Ministério Público de Rondônia (MP-RO).
Debate entre jornalistas vira bate-bocaMensagens de um grupo de jornalistas revelam a divisão da categoria. Gerson Costa defendeu a denúncia de Felipe Corona:
“Quem trabalha não tem o que temer. Parabéns ao Felipe Corona por denunciar o que já está sendo apurado no Ministério Público. Quem realmente faz jornalismo investigativo sabe fazer.”
Já a jornalista Yalle Dantas criticou o colega, afirmando que as publicações estariam prejudicando outros profissionais:
“Felipe querido, de acordo com informações de bastidores, não são informações apuradas e corretas. Pense em não fazer mais isso, você está prejudicando muitos colegas, inclusive eu e outros trocentos aqui.”
A troca de mensagens também teve a participação do jornalista Kopanakis (SIC TV), que chegou a sugerir ironicamente que a discussão fosse resolvida em um bar.
Bastidores: denúncias de “sites de fachada” e pressão políticaA coluna de Felipe Corona trouxe à tona acusações graves: um político local teria tentado ampliar de 37 para 41 sites a lista de veículos que recebem verba pública, muitos deles apontados como “sites de fachada”, sem relevância jornalística. O suposto esquema estaria em funcionamento há anos, com valores que chegariam a R$ 400 mil mensais destinados a veículos de pouca ou nenhuma expressão, além de práticas de “fogo amigo” contra secretários e adversários políticos.
Segundo relatos, a Secom teria barrado o cadastramento de novos sites e avaliado reduzir os repasses, o que gerou atrito entre empresários de comunicação e figuras políticas. O caso acabou resultando em denúncia formal ao Ministério Público, que agora apura o suposto esquema.
Clima de incerteza no setorA crise na comunicação oficial de Rondônia se aprofunda a cada semana. Além do mal-estar entre jornalistas, cresce o temor de que, diante das denúncias e das investigações, a mídia institucional seja suspensa não só pelo Governo de Rondônia, mas também por órgãos como a Assembleia Legislativa, Detran e a Prefeitura de Porto Velho.
Enquanto isso, jornalistas e empresários de comunicação seguem divididos entre denúncias, acusações e defesa de seus espaços. Nos bastidores, a avaliação é de que a disputa pelo controle da verba de mídia se transformou no maior conflito do setor nos últimos anos em Rondônia.
0 Comentários