
MPT já acionado para investigar as nomeações
A disputa por contratos de publicidade oficial em Rondônia voltou a ganhar destaque nesta semana, envolvendo deputados estaduais, portais de notícias e até investigações federais. O caso envolve desde contratos de pequeno porte no interior até contratos milionários na capital, levantando questionamentos sobre a transparência na distribuição de recursos públicos destinados à comunicação.
Contrato em Buritis com o deputado Delegado Lucas Torres
No dia 26 de agosto de 2025, a empresa E Nascimento Agência de Publicidade e Marketing (CNPJ 13.279.434/0001-14), localizada na Rua Seringueira, Setor 07, em Buritis (RO), recebeu R$ 3 mil para serviços de divulgação de atividades parlamentares do deputado estadual Delegado Lucas Torres (UP).
Somente neste ano, a agência já acumulou R$ 24 mil em contratos semelhantes com o parlamentar, repassando valores para veículos locais como o site Alerta Buritis.
Rondoniavivo, contratos milionários e investigaçõesNa capital, o site Rondoniavivo, pertencente à empresa CMP Comunicação e Assessoria LTDA - ME (CNPJ 08.742.048/0001-87), do jornalista Paulo Andreoli, é apontado como um dos maiores beneficiados com verbas de publicidade. O portal mantém contratos com 10 vereadores de Porto Velho, 15 deputados estaduais, 5 federais e os 3 senadores de Rondônia, movimentando cifras milionárias.
Além disso, denúncias apontam que familiares e funcionários ligados ao site estariam nomeados em órgãos públicos. Há cerca de dois anos, a situação é alvo de investigação federal, que apura nomeações suspeitas e possíveis irregularidades na gestão de contratos.
Polêmica com a Secom e corte de sitesNesta segunda-feira (15), o Rondoniavivo publicou matéria afirmando que a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) teria suspendido a publicidade em 37 a 40 sites, acusados de usar robôs para inflar audiência.
De acordo com a publicação, muitos desses sites não possuem endereço fixo, jornalista responsável e seriam “cópias” de outros veículos, chegando a reproduzir conteúdos de portais como o Rondoniagora, sem dar crédito. Ainda segundo a denúncia, os acessos inflados ocorreriam principalmente de madrugada, quando robôs estariam programados para agir.
A Secom, porém, já havia negado oficialmente a existência desse corte desde a semana passada. Informações que circulam nas redes sociais também afirmam que os cortes teriam como objetivo transferir verbas para rádios do estado, hipótese igualmente negada pela secretaria.
Mercado inflado e disputa acirradaO caso evidencia o cenário de disputa no setor de comunicação rondoniense. Atualmente, o estado conta com mais de 500 sites de notícias. Os que estão dentro da lista de contratos não querem perder espaço, enquanto os de fora buscam entrar a qualquer custo, gerando uma verdadeira “guerra campal” pela verba publicitária.
Paulo Andreoli, em defesa do Rondoniavivo, alega ter milhões de visualizações, mas críticos apontam que a maior parte do tráfego viria de fora de Rondônia, com foco em matérias policiais que, principalmente à noite, transformam o site em uma “verdadeira carnificina”. Outra prática relatada é o uso de robôs para publicar notícias em alta frequência, o que inflaria artificialmente os números.Caso sob acompanhamento do Ministério Público
A denúncia de fraude envolvendo sites de notícias já foi encaminhada ao Ministério Público Estadual (MPE), que acompanha o caso. Enquanto isso, o secretário de Comunicação, Renan Fernandes, tem sido alvo de ataques de veículos que teriam perdido espaço na divisão de verbas.
O cenário segue em ebulição, misturando política, contratos milionários e investigações, com expectativa de novos desdobramentos nas próximas semanas.
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